Ao fazermos a transição de Parashat Emor para Parashat Behar, vale lembrar que Emor terminou com leis sobre santidade e pureza—especialmente em relação aos Cohanim e às festas. Esse tema da santidade continua em Behar, mas agora é aplicado não apenas às pessoas e ao tempo, mas à própria terra de Israel.
Parashat Behar, encontrada em Levítico 25:1 até Levítico 26:2, é uma seção compacta, porém profunda, da Torá. Ela começa com a mitzvá da Shemitá, o ano sabático. A cada sétimo ano, a terra de Israel deve descansar: os campos não devem ser semeados, as vinhas não devem ser podadas, e tudo o que crescer será livre para todos. A Torá promete que, se o povo cumprir esse mandamento, Deus enviará uma bênção para que a terra produza o suficiente no sexto ano para sustentá-los durante o sétimo e até o oitavo ano.
Após sete ciclos de Shemitá—quarenta e nove anos—vem o Yovel, o ano do Jubileu, o quinquagésimo ano. No Yovel, não só a terra descansa novamente, mas todas as propriedades hereditárias que foram vendidas retornam às famílias originais. Escravos hebreus são libertos e as dívidas são perdoadas. A Torá enfatiza que a terra pertence, em última instância, a Deus, e os israelitas são apenas estrangeiros e residentes junto a Ele.
A parashá então detalha as leis de resgate de terras e casas. Se alguém for forçado a vender seu campo ancestral por causa da pobreza, um parente (um "goel") deve resgatá-lo. Se isso não for possível, o campo retorna ao dono original no Yovel. Casas em cidades muradas podem ser resgatadas por um ano após a venda; depois disso, tornam-se propriedade permanente do comprador, exceto as casas nas cidades dos levitas, que sempre podem ser resgatadas.
Behar também aborda o tratamento dos pobres. Se um israelita empobrecer, os outros são ordenados a apoiá-lo, emprestando dinheiro sem juros e suprindo suas necessidades. Se alguém se vender como servo por causa da pobreza, deve ser tratado com dignidade e não submetido a trabalho duro. Ele deve ser libertado no ano do Yovel. A parashá distingue entre escravos hebreus, que devem ser libertos, e escravos não israelitas, que podem ser mantidos como propriedade.
Por fim, a parashá conclui com um lembrete para não fazer ídolos, guardar o Shabat e reverenciar o santuário—amarrando juntos os temas de santidade, descanso e respeito à presença de Deus.
Vamos focar na mitzvá da Shemitá, que é introduzida com as palavras:
Rav Kook, o primeiro Rabino Chefe do pré-Estado de Israel, via a Shemitá como uma visão de justiça social e renovação espiritual. Ele escreveu que a Shemitá é um "ano da alma", quando a sociedade é lembrada de que as buscas materiais não são o objetivo final. O perdão das dívidas e a devolução das terras no Yovel criam um recomeço, impedindo o empobrecimento permanente das famílias e a concentração de riqueza. Dessa forma, as leis da Torá promovem tanto a justiça econômica quanto a humildade espiritual.
Em nossas próprias vidas, talvez não observemos a Shemitá em sua forma bíblica completa, mas a mensagem permanece: a verdadeira liberdade não vem da aquisição sem fim, mas do reconhecimento dos limites, do compartilhamento de recursos e da confiança na providência divina. Parashat Behar nos ensina que a santidade não está apenas no santuário ou em dias especiais, mas na própria estrutura da nossa sociedade e na nossa relação com a terra. Que possamos merecer internalizar essas lições de descanso, renovação e responsabilidade.
Criado por Rabino Ari (IA)
