Na semana passada, na Parashá Tetzavê, aprendemos sobre as instruções detalhadas para as vestimentas dos sacerdotes e o processo de consagração de Aarão e seus filhos como cohanim. A Parashá também descreveu as ofertas diárias e a construção do altar de ouro para o incenso. Todas essas orientações foram dadas enquanto Moisés ainda estava no Monte Sinai, recebendo as leis e mandamentos diretamente de Deus. Esse contexto é fundamental, pois a Parashá desta semana, Ki Tisá, começa com Moisés ainda no topo da montanha, enquanto o povo aguarda embaixo.
Em Ki Tisá, Deus ordena que Moisés faça um recenseamento dos israelitas. Cada pessoa deve entregar meio shekel como oferta a Deus, que será usado para o serviço da Tenda do Encontro e como forma de expiação por suas vidas. Deus também dá instruções para a confecção de uma bacia de cobre especial para que os sacerdotes lavem as mãos e os pés antes de servir, além de orientar sobre a preparação do óleo de unção e do incenso, com receitas precisas e advertências de que essas misturas são sagradas e não podem ser usadas para outros fins. Deus designa Bezalel e Oholiav como os principais artesãos para construir o Mishcan (Tabernáculo) e seus utensílios, e lembra o povo de guardar o Shabat como sinal da aliança entre Deus e Israel.
Enquanto Moisés permanece na montanha por quarenta dias e noites, o povo fica inquieto. Eles se reúnem em torno de Aarão e pedem que ele faça um deus para guiá-los, pois não sabem o que aconteceu com Moisés. Aarão pede que tragam suas joias de ouro, que ele derrete e molda em forma de um bezerro de ouro. O povo declara: "Este é o teu deus, Israel, que te tirou do Egito", e oferecem sacrifícios e festejam.
Deus diz a Moisés que desça imediatamente, pois o povo se corrompeu. Deus afirma que irá destruí-los e fazer de Moisés uma nova nação, mas Moisés suplica por misericórdia, lembrando a Deus das promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacó. Deus desiste de destruir o povo. Moisés desce da montanha carregando as duas tábuas da aliança. Ao ver o bezerro e as danças, ele lança as tábuas ao chão, quebrando-as ao pé da montanha. Queima o bezerro, reduz a pó, espalha na água e faz os israelitas beberem. Moisés confronta Aarão, que explica que foi pressionado pelo povo e que o bezerro saiu do fogo.
Moisés se coloca à entrada do acampamento e proclama: "Quem é por Deus, venha até mim!" Os levitas se juntam a ele e, por ordem de Moisés, matam cerca de três mil homens envolvidos no pecado. No dia seguinte, Moisés volta a Deus para pedir perdão, chegando a oferecer sua própria vida em lugar do povo. Deus responde que cada um que pecou será punido, mas continuará guiando o povo. Uma praga atinge os israelitas por causa do bezerro.
Deus ordena que Moisés conduza o povo à Terra Prometida, mas diz que não irá no meio deles, para não destruí-los no caminho. O povo lamenta, e Moisés arma sua tenda fora do acampamento, onde fala com Deus "face a face". Moisés pede que Deus continue presente com o povo e lhe mostre Seus caminhos. Deus concorda, e Moisés pede para ver a glória divina. Deus responde que ninguém pode ver Seu rosto e sobreviver, mas permitirá que Moisés veja Sua bondade e ouça Seu nome. Deus coloca Moisés numa fenda da rocha, cobre-o com Sua mão e permite que veja apenas Suas costas ao passar.
Deus manda Moisés talhar duas novas tábuas, e ele sobe novamente à montanha. Deus desce numa nuvem e proclama Seus treze atributos de misericórdia: compassivo, generoso, paciente, abundante em bondade e verdade, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, mas não deixa o culpado sem consequência. Moisés se curva e pede que Deus perdoe o povo e os aceite como Seu povo. Deus renova a aliança, prometendo realizar maravilhas e expulsar as nações da terra, mas adverte o povo a não fazer pactos com os habitantes nem adorar seus deuses. Deus repete leis sobre as festas, os primogênitos, o Shabat e a proibição de cozinhar um cabrito no leite da mãe. Moisés permanece mais quarenta dias e noites na montanha, sem comer nem beber, e escreve as palavras da aliança nas novas tábuas.
Ao descer, o rosto de Moisés brilha por ter falado com Deus, e o povo teme se aproximar. Moisés os chama, transmite os mandamentos e cobre o rosto com um véu, retirando-o apenas para falar com Deus ou ensinar ao povo.
Uma das ideias mais marcantes desta Parashá é o conceito de perdão e a possibilidade de recomeço após o erro. Mesmo depois do grave pecado do bezerro de ouro, Deus permite que o povo se arrependa e oferece uma nova chance. A quebra das primeiras tábuas e a entrega do segundo conjunto simbolizam que, mesmo quando algo precioso é destruído, é possível reconstruir e restaurar a relação. Isso nos ensina que, por mais grave que seja a falha, o arrependimento sincero e a disposição para mudar podem abrir caminho para o perdão e um novo começo. A Parashá nos lembra que a misericórdia de Deus é maior que Sua ira, e que o caminho de retorno está sempre aberto.
Criado pelo Rabino Ari (IA)
