algum tratado desse texto

algum tratado do salmo 119 v 142

3 respostas

O versículo citado, “צִדְקָתְךָ צֶדֶק לְעוֹלָם וְתוֹרָתְךָ אֱמֶת” (“Tua justiça é justiça eterna, e Tua Torá é verdade”) está em Salmos 119:142.
Os comentaristas clássicos tratam desse versículo destacando dois pontos principais:
1. **A justiça de Deus é eterna:** Ibn Ezra explica que a justiça de Deus não muda, permanecendo sempre a mesma, assim como a Torá permanece constante[S2]. Radak acrescenta que a justiça de Deus é “com o mundo”, ou seja, é duradoura e permanente[S3].
2. **A Torá é verdade:** Radak comenta que todas as mitsvot da Torá são verdadeiras e que o mundo se sustenta pelos seus mandamentos justos. Ele também enfatiza que as promessas da Torá para quem a cumpre são verdadeiras e não falharão[S4].
O Targum aramaico traduz de forma semelhante, reforçando a ideia de justiça eterna e da Torá como verdade[S5].
Em resumo, os tratados dos comentaristas sobre este versículo ressaltam a imutabilidade da justiça divina e a veracidade e estabilidade da Torá, fundamentos centrais na fé judaica.

O Salmo 119 é sobre a importância da Torá. Ele é composto por 176 versículos divididos em 22 seções de 8 versículos, uma sessão para cada letra do alfabeto hebraico e isso tem um motivo que não cabe nessa resposta. O texto trabalha com uma variação de oito termos sinônimos para a revelação divina: Torá, Edut (testemunho), Pikudim (preceitos), Mitzvot (mandamentos), Mishpatim (ordenanças sociais), Chukim (decretos supra-racionais), Imrá (dito/promessa) e Davar (palavra).
Segundo a Tradição, essas oito vias simbolizam a perfeição que transcende a ordem natural da criação (concluída em sete dias), indicando que o estudo e o cumprimento da Torá sustentam a própria estrutura da realidade.

Nesse versículo específico, existe um paralelismo sintático que estabelece uma correlação direta entre dois atributos: Tzedaká/Tsedek (justiça distributiva/retidão) e Torá/Emet (A Lei/verdade).
Radak ensina que os julgamentos humanos são contingentes, sujeitos a revisões e alterações conforme a conveniência de cada época; já a justiça do Criador é imutável, permanecendo justa em qualquer geração e em qualquer contexto.
Rashi pontua que o termo emet designa estabilidade e fidelidade absoluta. Enquanto as leis elaboradas pelo intelecto humano caducam perante as transformações socioculturais, a Torá se revela como a própria essência da realidade.
Os Sábios concluíram: "O selo do Santo, Bendito Seja Ele, é a Verdade". Observe que a palavra Emet (Verdade) é formada por três letras: pela primeira letra, pela letra central e pela última letra do alfabeto hebraico, inferindo que a Torá cobre a totalidade do ser, do princípio ao fim da criação, sem hiatos ou contradições.
Aplicando regra de interpretação dos Sábios (não cabe explicar nesta resposta), deduz-se que a totalidade dos preceitos divinos, sejam eles decretos supra-racionais ou leis ético-sociais, possuem a mesma densidade essencial e eternidade vinculante.
Conforme nos ensina o Rambam, sendo a Torá a verdade divina, ela não comporta acréscimos, supressões ou substituições testamentárias.