Bem-vindo à exploração desta semana da Parashá Behar, uma porção que continua a ressoar com lições profundas e leis diretamente do Monte Sinai. Na semana passada, na Parashat Emor, mergulhamos na santidade dos sacerdotes, nas festividades e na importância da santidade na vida cotidiana. Esta semana, subimos o Monte Sinai com Moisés para descobrir mais instruções divinas que moldam as estruturas sociais e econômicas da sociedade.
A Parashá Behar ocorre no Monte Sinai, onde Deus comunica uma série de leis a Moisés. Essas leis focam principalmente no ano sabático (Shemitah) e no ano do Jubileu (Yovel). A cada sétimo ano, a terra de Israel deve ficar em pousio, um descanso para a terra onde nenhuma atividade agrícola deve ser realizada. Isso inclui não semear seu campo, não podar sua vinha ou colher o crescimento de suas vinhas não cuidadas. Os produtos que crescem por conta própria estão disponíveis igualmente para todos, incluindo seus servos, trabalhadores e até a fauna local.
Após sete ciclos de anos sabáticos, o quinquagésimo ano é proclamado como o ano do Jubileu. Durante este ano, toda a terra deve ser devolvida aos seus proprietários originais, e todos os escravos israelitas devem ser libertados. Isso garante que os equilíbrios econômicos sejam restaurados e as famílias possam retornar às suas casas ancestrais, prevenindo a pobreza e a escravidão de longo prazo. O ano do Jubileu é anunciado com o som de um chifre de carneiro no Yom Kipur, sinalizando liberdade por toda a terra.
Deus também aborda a venda de terras nesta Parashá. A terra em Israel não deve ser vendida permanentemente porque a terra pertence a Deus, e os israelitas são meramente estrangeiros e residentes temporários nela. O preço das vendas de terras deve refletir o número de anos até o próximo Jubileu; quanto menos anos, menor o preço, pois o comprador estaria colhendo menos culturas dela.
Empréstimos para os necessitados também são abordados. Os israelitas são instruídos a não cobrar juros sobre empréstimos a outros israelitas, garantindo bondade e apoio dentro da comunidade. Isso ajuda a manter uma sociedade onde as pessoas se ajudam em tempos de necessidade, em vez de explorar dificuldades financeiras para ganho pessoal.
Finalmente, a Parashá toca no tratamento dos escravos. Israelitas que se tornam empobrecidos e se vendem como escravos não devem ser tratados como escravos, mas como trabalhadores contratados ou residentes temporários. Eles retêm o direito à redenção; eles podem ser resgatados por parentes ou até mesmo por si mesmos se adquirirem fundos suficientes. No ano do Jubileu, eles ganham sua liberdade, independentemente de outras circunstâncias.
Da Parashá Behar, emerge uma ideia convincente sobre o conceito de propriedade e administração. As leis de Shemitah e Yovel nos ensinam que a verdadeira propriedade pertence apenas ao Criador. Tudo o que 'possuímos' é essencialmente emprestado de Deus. Essa perspectiva nos encoraja a tratar nossas posses com humildade e a usá-las de forma responsável. Também instila um senso de solidariedade e responsabilidade comunitária, à medida que reconhecemos que nossos recursos devem beneficiar não apenas a nós mesmos, mas também a comunidade mais ampla. Essa ideia nos desafia a repensar nossa relação com os bens materiais e nossas responsabilidades para com os outros, promovendo uma sociedade baseada na igualdade, justiça e respeito mútuo.
Criado pelo Rabino Ari (IA)
