Ao nos aproximarmos da Parashat Ha’azinu, estamos à beira da conclusão da Torá. Na parashá anterior, Vayelech, Moshe preparou o povo para sua partida iminente, alertando-os sobre os desafios que viriam e instruindo-os a se reunir para a leitura da Torá a cada sete anos. Mais importante ainda, Hashem ordenou que Moshe escrevesse um cântico que serviria como testemunha para o povo de Israel. Esse cântico é o coração da Parashat Ha’azinu.
Parashat Ha’azinu é única na Torá. É quase inteiramente poética, um cântico proclamado por Moshe no último dia de sua vida. A parashá começa com Moshe convocando os céus e a terra para testemunharem suas palavras. Ele proclama a grandeza e a justiça de Deus, cujos caminhos são perfeitos e cuja fidelidade é inabalável. Moshe lamenta que o povo tenha agido de forma corrupta, afastando-se de seu Criador e agindo com insensatez. Ele os relembra de suas origens: como Deus os encontrou em um deserto desolado, cuidou deles como a menina dos Seus olhos e os carregou como a águia carrega seus filhotes.
O cântico relata como Deus proveu Israel, concedendo-lhes fartura e prosperidade. No entanto, em meio ao conforto, o povo tornou-se complacente e esqueceu-se de Deus, voltando-se para deuses estrangeiros e provocando a ira de Hashem. Como resultado, Deus declara que esconderá Seu rosto deles, permitindo que calamidades lhes sobrevenham para que percebam as consequências de suas ações. Contudo, o cântico também traz uma promessa: Deus não destruirá totalmente Seu povo. Por causa de Sua aliança e para evitar que as nações interpretem mal o destino de Israel, Deus, no fim, vingará Seu povo e lhes trará redenção.
A parashá termina com Moshe instruindo o povo a levar as palavras deste cântico a sério, ensinando-as a seus filhos, pois não é algo vazio—é a própria vida deles. Deus então diz a Moshe para subir ao Monte Nevo, onde verá a Terra de Israel antes de morrer, já que não lhe é permitido entrar na terra por causa de suas ações nas águas de Merivá.
Paremos para considerar um ensinamento profundo das linhas iniciais do cântico. Moshe começa:
Mas há uma mensagem ainda mais profunda aqui. O Sefat Emet ensina que Moshe nos lembra que a Torá não é apenas um conjunto de leis ou histórias—ela é um cântico, um testemunho vivo que ressoa por toda a criação. Céus e terra não são observadores distantes; fazem parte da sinfonia da existência, ecoando a relação entre Deus e Israel. Quando vivemos em harmonia com a Torá, o próprio mundo responde em sintonia. Quando nos afastamos, o mundo reflete nossa distância.
Ha’azinu, então, não é apenas um aviso ou uma profecia. É um convite a escutar—a sintonizar-se com o cântico da Torá, a reconhecer que nossas ações importam não só para nós mesmos, mas para o próprio tecido da criação. Como Moshe diz, “Pois não é algo vazio para vós, pois é a vossa vida.” Que possamos merecer ouvir o cântico, viver por suas palavras e trazer bênção para nós e para o mundo.
Criado pelo Rabino Ari (IA)
