Ao fazermos a transição de Parashat Eikev para Parashat Re’eh, a Torá continua o discurso final de Moshe aos israelitas antes de entrarem na Terra de Israel. Em Eikev, Moshe enfatizou a importância de lembrar a bondade de Hashem, cumprir as mitzvot e as consequências de esquecer Deus. Esse tema de recompensa e consequência, e a centralidade da observância das mitzvot, flui diretamente para Re’eh, onde Moshe aprofunda o foco nas escolhas que aguardam a nação.
Parashat Re’eh começa com Moshe apresentando uma escolha clara: bênção se o povo obedecer aos mandamentos de Deus, e maldição se se desviar. Ao entrarem na Terra, os israelitas devem proclamar essas bênçãos e maldições no Monte Gerizim e no Monte Ebal. A parashá então detalha muitas mitzvot e leis que moldarão a vida espiritual e comunitária de Israel:
- Todas as formas de idolatria são estritamente proibidas. Os israelitas devem destruir todos os locais de culto idólatra na Terra e são ordenados a não adorar Hashem da mesma forma que as nações que estão substituindo.
- Centralização do culto: Sacrifícios e ofertas só podem ser trazidos no local que Deus escolher (eventualmente Jerusalém). Altares particulares são proibidos uma vez que o santuário central esteja estabelecido.
- Alimentos permitidos e proibidos: As leis dos animais kasher são reiteradas, incluindo a proibição de comer sangue. Os dízimos dos produtos e dos animais devem ser levados ao santuário central, onde devem ser consumidos com alegria e gratidão.
- Advertência contra falsos profetas e aqueles que induzem outros à idolatria, mesmo que sejam parentes próximos ou cidades inteiras. Tais pessoas ou comunidades devem ser tratadas com rigor para proteger a integridade espiritual da nação.
- Proibição de automutilação e práticas pagãs de luto. Os israelitas são lembrados de que são um povo santo para Hashem.
- Repetição das leis de animais, peixes e aves kasher e não kasher. A proibição de cozinhar um cabrito no leite de sua mãe é reafirmada.
- Leis do dízimo: Todo ano, um décimo da produção deve ser separado para ser consumido em Jerusalém, ou, se a distância for grande demais, trocado por dinheiro para ser gasto em comida e bebida em Jerusalém. A cada terceiro ano, o dízimo é dado ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva.
- A mitzvá da Shemitá (o ano sabático): A cada sétimo ano, as dívidas devem ser perdoadas e os pobres devem ser generosamente amparados.
- Leis sobre o tratamento dos escravos hebreus: Após seis anos de serviço, devem ser libertados e não enviados embora de mãos vazias.
- Mandamentos sobre os primogênitos do gado e do rebanho: Devem ser levados ao santuário e consumidos lá.
- As três festas de peregrinação—Pessach, Shavuot e Sucot—são descritas, com instruções para comparecer diante de Hashem no local escolhido e alegrar-se juntos.
Uma das características mais marcantes de Parashat Re’eh é sua declaração inicial:
Rav Kook, em seus escritos, vê nesta parashá uma mensagem profunda sobre a dignidade e a responsabilidade da liberdade humana. A Torá não impõe fé ou observância; ao contrário, nos chama a escolher a vida, a escolher a santidade e a escolher ser uma bênção. A ênfase repetida na destruição da idolatria e na centralização do culto não diz respeito apenas ao ritual, mas à criação de uma sociedade onde a presença de Deus é sentida em todos os aspectos da vida—social, econômica e espiritual.
Em última análise, Parashat Re’eh nos desafia a reconhecer o peso de nossas escolhas. Cada mitzvá, cada ato de bondade, cada momento de contenção ou generosidade, é uma oportunidade de trazer bênção ao mundo. Como diz Moshe, a escolha está diante de nós—que tenhamos sabedoria e coragem para escolher bem.
Criado por Rabbi Ari (IA)
